Para Protógenes Queiroz, Serra desrespeita o Congresso e
deve explicações por "expedientes criminosos". Deputado diz que Aécio
Neves o parabenizou pelo pedido de investigação
Por: Raoni Scandiuzzi, Rede Brasil Atual
Publicado em 11/01/2012, 17:25
Última atualização às 19:24
Delegado Protógenes disse que FHC se surpreendeu com
atividades sombrias de Serra
São Paulo – O deputado federal Protógenes Queiroz (PCdoB-SP)
disse nesta quarta (11) que é gesto de “desespero” a crítica de José Serra
(PSDB) à CPI da Privataria. Na véspera, o ex-governador paulista Serra
classificou de “palhaçada” a eventual instalação da Comissão Parlamentar de
Inquérito, pedida por Protógenes, para investigar privatizações de estatais
durante o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Protógenes viu na atitude de Serra um desrespeito ao
trabalho parlamentar de investigação. “Ele está se referindo à CPI de uma forma
jocosa, em um tom de brincadeira. Eu considero que essa reação dele é um grito
de desespero, bastante desrespeitoso.”
Para o parlamentar, o trabalho obscuro de pessoas próximas a
Serra, desvendado por Ribeiro causou estranhamento nos próprios integrantes de
seu partido, o PSDB. “Causou uma guerra interna. O próprio ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso fala, sem externar publicamente, que também se
surpreendeu”, afirmou. Ele ainda relatou que o senador mineiro Aécio Neves
(PSDB) o parabenizou pela iniciativa da CPI.
Confira a entrevista:
Rede Brasil Atual: Como está a tramitação da CPI?
Protógenes Queiroz: A CPI ja foi protocolada e agora segue
um rito regimental. Logo na primeira semana de fevereiro vamos saber a
tramitação que o presidente da Casa, Marco Maia, deu. Mas será instalada – logo
depois do carnaval.
Qual foi a sua impressão do livro A Privataria Tucana?
O livro traz vários fatos inéditos, não é uma reedição de
fatos que já haviam sido publicados, pelo contrário. Ele se tornou mais que um
livro, um documento que cruza com investigações da Polícia Federal, inclusive
algumas que eu mesmo coordenei. O fato é que para o próprio PSDB tudo isso
também foi uma surpresa, por isso que também houve a assinatura de vários
parlamentares tucanos. É como aquela história do marido traído, que é sempre o
último a saber e por terceiros.
Isso produziu alguma crise no PSDB?
Causou uma guerra interna. O próprio ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso fala, sem externar publicamente, que também se surpreendeu,
quer dizer, já colocando a posição de surpresa e neutralidade naquilo que o
Serra liderou, nas privatizações.
Algum outro tucano falou alguma coisa?
No dia em que entreguei a CPI, o Aécio Neves me abraçou, me
dando os parabéns.
Qual deveria ser a posição do Serra neste momento?
O Serra deve explicações ao Brasil. Não somente ele, mas
também quem estiver ligado a ele, como o Ricardo Sérgio, o grande operador do
PSDB. Será que ele foi o operador de todo o PSDB ou só do grupo e da família
Serra? Mas é o Serra que deve dar as explicações mais detalhadas, ele é o
sujeito que se servia de expedientes criminosos.
Ele chegou a classificar a CPI da Privataria de palhaçada.
Ele foi um governador, como ele pode se expressar dessa
forma? Ele está desrespeitando o Congresso Nacional e a vontade popular. Mas
essa é uma expressão pela qual ele está acostumado, do próprio meio dele. Não é
a expressão conveniente para um instrumento sério de investigação do Parlamento
brasileiro, nem a expressão dos parlamentares que assinaram a CPI.
Por que acha que ele falou isso?
Ele está se referindo à CPI de uma forma jocosa, em um tom
de brincadeira. Eu considero que essa reação dele é um grito de desespero,
bastante desrespeitoso.
Como você enxerga que será o trabalho da CPI?
Nós vamos ter de ver se aqueles documentos do Amaury são
verdadeiros ou não, e caso se confirmem vamos encontrar um foco de investigação
e aprofundar.
O Serra será um dos convocados?
Com certeza.
A CPI poderia comprometer o futuro do Serra?
Em política tudo é possível. Depois que eu prendi o Paulo
Maluf por 40 dias e ele foi eleito deputado federal, então tudo é possível.
(Antes de seguir carreira política, Protógenes foi delegado da Polícia Federal
e atuou em investigações de crimes de colarinho branco.)
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